Sobre o pior ano da minha vida e, ironicamente, o melhor também.

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Creio que 2016 não foi um ano bom para muitas pessoas, mesmo em seu finzinho ele tem deixado muitas marcas em todos nós. Não vemos a hora dele acabar para que outro ciclo se inicie e traga junto de si muitas coisas boas. Não aguentamos mais tanta desgraça…

Eu, particularmente, iniciei o meu ano da pior forma possível, mas eu nem imaginava que isso era só o começo de muita coisa ruim que estava vindo em minha direção e que me atingiria o longo do ano. Minha primeira semana de 2016 foi péssima e o meu aniversário também não foi dos melhores, tive anjinhos que me levaram a força para comemorar este dia mas eu estava muito triste e sem condições para esboçar um sorriso sequer no meu rosto, eu só conseguia chorar, tinha levado um golpe um dia antes.

Os dias seguintes foram monótonos e eu decidi maratonar HIMYM (How I Meet Your Mother), isso me distraia. Me tirava desse mundo… Até o dia em que o meu cachorro morreu. Talvez ninguém saiba que ele se foi, mas muitos sabiam da minha forte ligação com ele. Isso foi o pior golpe que eu recebi da vida neste ano. Não soube lidar com a ausência do Thor e me entreguei. Cheguei ao fundo do poço. Nunca senti uma dor tão forte e vazia em meu peito como a que senti naquele mês de Março.

Minha vida não tinha mais sentido e eu não tinha motivos para continuar vivendo sem aquele cachorro que tanto me ensinou e me fez companhia. Entrei em depressão, vi a morte de perto e desisti de tudo. Quando eu desisti de tudo, a vida me surpreendeu com o telefonema do hospital para a minha internação, eu finalmente iria retirar aquela maldita vesícula cheia de pedras do meu corpo e que tantas dores me causou nos últimos anos. Eu senti que o Thor estava feliz pela minha conquista e decidi que aquele seria o meu recomeço. E foi. Eu voltei renovada daquela cirurgia, a vida estava me dando uma nova chance e eu iria aproveitá-la da melhor forma possível. Minha recuperação foi um pouco lenta e complicada, mas os benefícios de não ter mais aquele órgão empedrado dentro do meu corpo eram cada dia mais perceptíveis no meu organismo. Eu estava conseguindo ser feliz novamente…

Até que a vida me deu outro golpe, no mesmo lugar que eu tanto lutei para regenerar. Era Julho e meu coração sofria um novo golpe, eu não estava preparada para isso. Perdoei e confiei em uma pessoa que repetiu o mesmo feito que na primeira semana do ano. Doeu. Eu não tinha estruturas emocionais e psicológicas para lidar com tamanha dor brotando das feridas em meu peito. Eu estava sendo enganada novamente, pela mesma pessoa.

Esses relatos são apenas um breve resumo perto de tudo o que realmente aconteceu e do misto de sentimentos que eu vivi neste ano. Foi muito difícil, eu questionei muito o motivo daquilo tudo estar acontecendo comigo e sempre que ficava triste lembrava daquele serumaninho que, sem dúvidas, estaria ao meu lado enxugando minhas lagrimas em todos aqueles momentos difíceis pelo qual eu estava passando. Porém, ele estava me olhando e guiando de onde quer que estivesse e não queria me ver chorando. Eu sabia. Reencontrei forças de lugares inimagináveis dentro de mim, reergui minha cabeça e segui em frente, mesmo que machucada pela vida e pelas pessoas.

Agosto não foi o mês do desgosto, como muitos costumam dizer, este foi o mês que me fez aprender com todas aquelas dores que eu vinha passando, elas não eram em vão. Neste mesmo mês eu estava assinando o contrato junto a Andross Editora para a publicação do meu primeiro conto. Mesmo marcada sob fortes cicatrizes e com algumas feridas que ainda latejavam, eu estava seguindo em frente. Tudo estava mudando para melhor e ganhando cor, sentido e vida na minha vida novamente. Setembro passou correndo e o dia do lançamento do livro finalmente chegou, eu já não seria mais a mesma Tatiane depois daquele 08/10/2016.

No evento Livros Em Pauta eu tive a oportunidade de conhecer pessoas do país inteiro e ali eu soube que não estava sozinha. Vi que eu tinha o apoio de pessoas que nunca tinha visto antes mas que estariam ao meu lado sempre que eu precisasse. O mundo literário sempre foi o meu mundo e eu descobri isso aos vinte e quatro anos de idade. Minhas escritas tinham um espaço e um propósito, fui incentivada por todos a criar este cantinho para elas. Aquelas pessoas não me abandonaram e continuam ao meu lado até hoje.

Hoje eu paro para pensar sobre a turbulência que foi o meu ano e vejo que se eu tivesse desistido lá no início, nada disso estaria acontecendo comigo. Sim, eu derramei e ainda derramo muitas lágrimas, mas eu aprendi muito como pessoa. Todas as dores e feridas causadas durante todo esse ano me fizeram ser uma pessoa muito melhor. Com as decepções eu descobri que passei a vida ao lado de pessoas tóxicas e que me faziam mal. Abri meus olhos, me afastei de todas essas energias negativas que me rodeavam no dia a dia e hoje me sinto mais leve. Errei muito mas aprendi na mesma proporção e hoje sou grata por este ano que também foi proporcional em suas desgraças e alegrias, também devo reconhecer. Não desistir foi a minha melhor escolha e agora eu tenho a plena certeza de que desistir não é mais uma opção na minha vida. Eu me descobri como um ser humano capaz e competente para enfrentar qualquer tipo de dificuldade que a vida e/ou as pessoas venham impor em meu caminho.

2016 foi o pior ano da minha vida até agora e, ironicamente, foi o melhor também.

Me descobri como pessoa, como mulher capaz, linda e maravilhosa. Ganhei amigos incríveis e pessoas muito especiais que irei levar comigo para o resto da minha vida. Agradeço a todos que me ajudaram a chegar até aqui e me tornar um ser humano melhor neste ano… Seja com uma decepção, uma mentira, uma crítica destrutiva, uma conversa sincera, um abraço verdadeiro, um silêncio confortante ou a não ser como vocês. Todos me ensinaram muito! ♥

 


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